Esse blog possui alguns trechos sumarizados do texto Docência no Ensino Superior, da professora Myriam Krasilchik.
Introdução
Nos últimos semestres, se torna evidente um movimento de procura de aprimoramento dos docentes, por meio de seminários, cursos presenciais e a distância, programas de tutoria entre outros. Esse movimento pode ser indicativo de maior exigência por parte dos alunos. Algumas iniciativas foram formuladas como resposta a essas necessidades, entre elas o programa de apoio pedagógico (PAE).
Um ponto polêmico são os programas destinados a professores e projetos de uma disciplina específica, visto que tais serviços não propiciam apoio à reflexão e formação de consciência pedagógica. Uma alternativa são grupos de apoio especializados nos casos concretos de problemas criados nas salas de aula, laboratórios etc.
Na experiência da Myriam Krasilchik, docente da FEUSP e autora do texto, o aumento na procura por cursos de Metodologia do Ensino Superior indica que a interação de pessoas de diferentes origens, trocando informações, depoimentos, registrando necessidades é útil e catalizadora de uma vivência universitária coibida pelo confinamento em departamentos, os quais restrigem a interdisciplinaridade e pluralidade.
O tema de aperfeiçoamento docente é tão presente que há a sensação de estar repetindo estribilhos muito desgastados - porém, traçar elementos da situação contextual é necessário para tratar adequadamente do que ocorre nas aulas. E o fator fundamental é conhecer os alunos com os quais trabalhamos.
Tensões e mudanças
Um conjunto de fatores no atual cenário contribui para criação de tensões que refletem nas salas de aula. Uma poderosa fonte é o aumento da população estudantil que pleiteia acesso ao ensino superior. O aumento de egressos do ensino médio, a valorização da educação superior como credencial da empregabilidade e a esperança de mobilidade social geram movimentações para melhorar a possibilidade de frequentar a universidade.
Dados indicam que parte dos alunos com deficiência de formação consegue superar as desvantagens iniciais e completar os cursos desde que tenham condições de frequentá-los adequadamente. Esse resultado é pouco compensador para aqueles que lutam contra ações de política afirmativa para atender a grupos excluídos.
Do aumento de vagas, decorre uma diminuição de recursos financeiros e humanos que, no final da cadeia, sobrecarrega os professores, os quais se deparam com alunos diferentes dos que formavam sua clientela básica e se ressentem das mudanças e têm dificuldades para superá-los.
O aumento das vagas ainda leva a constituição de turmas muito numerosas, o que ainda agrava as dificuldades enfrentadas pelos docentes. O dilema para muitos continua na escolha entre a “massificação” ou manutenção do “elitismo”, sendo que a primeira expressão possui um forte sentido pejorativo.
Embora a universidade seja beneficiada com a amostragem de alunos mais representativa da população, para muitos custa reconhecer essa vantagem.
O capítulo ainda destaca que outro fator que afeta profundamente o trabalho dos docentes é a dicotomia entre ensino e pesquisa, quando esta é mais valorizada pelas agências de fomento e cobrada pelos órgãos da universidade. A aferição de produtividade pelo número e qualidade de publicações provoca uma preferência pela pesquisa em detrimento do ensino.
Assim, procedimentos criteriosos de avaliação do ensino e de sua importância como elemento de progresso na carreira acadêmica são essenciais para impedir o desequilíbrio do peso do ensino e pesquisa, incentivando os professores a se dedicar igualmente as duas atividades.